Mesmo sem o grau de investimento, existe demanda e atratividade pelos títulos brasileiros, observou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Leandro Secunho. Ele lembrou que, em janeiro, o governo emitiu US$ 1,5 bilhão com a reabertura do Global 2047 e disse que a demanda foi quatro vezes maior pelo papel. No início de 2018, a taxa de juros paga foi de 5,6% ao ano. Em setembro de 2016, por exemplo, essa taxa era de 5,875%.
?Mesmo sem o ′investment grade′, existe demanda e atratividade do título brasileiro. Emitimos títulos de 30 anos a 5,6% e, em algum momento em que tínhamos investment grade, a 5,8%?, frisou.
Secunho explicou ainda que as avaliações das agências são independentes. ?Não estamos aqui para avaliar se estão certas ou erradas. Há avaliações mais quantitativas e objetivas?, notou, acrescentando que, se fossem consideradas apenas as questões quantitativas, o rating do país seria grau de investimento.
Ele lembrou, no entanto, que outras questões são ponderadas na decisão das agências de classificação de risco, como, por exemplo, rigidez fiscal e questão políticas que puxam a redução da nota. ?Na sexta, houve evento da Fitch e eles colocaram isso?, afirmou. Naquele dia, a agência de classificação de risco rebaixou a nota soberana do Brasil de "BB" para "BB-" e alterou a perspectiva da nota de negativa para estável.
O coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves, destacou que as agências de risco reconhecem a qualidade do perfil da dívida, com diversificação em termos de risco de mercado, com boa proporção de divida prefixada e remunerada por índice de preço, está em linha com diretrizes da divida, com boa exposição cambial e com base de investidores bem diversificada.
?Mas a agência [rating] tem que ponderar outros fatores, como o ambiente politica e o ambiente para aprovação das reformas. Algumas avançaram, mas temos desafios e o exemplo mais imediato é a reforma da Previdência. São exemplos de fatores que no relatório das agências conseguimos extrair como pontos que pesaram na avaliação do rating?, ressaltou Alves.
O coordenador geral de controle e pagamento da dívida pública, André Proite, acrescentou que a não aprovação da reforma da Previdência Social foi um catalisador.
Fonte: Valor - Finanças, por Edna Simão e Fábio Pupo , 26/02/2018

