Depois de os lançamentos de imóveis residenciais na cidade de São Paulo caírem 7% em 2014, na cidade de São Paulo, para 31,7 mil unidades, o Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, estima retração de 10% nas novas unidades a serem apresentadas ao mercado neste ano. "O foco das incorporadoras será a venda de estoques", diz o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

No ano passado, as vendas encolheram 35,2%, para 21,6 mil unidades. O número de unidades lançadas superou o de imóveis comercializados em 10,1 mil. Para este ano, o Secovi-SP projeta faixa de vendas de 19,5 mil a 23,7 mil unidades, o que significa desde queda de 10% até alta de 10%.

O setor está preocupado, segundo Petrucci, com a necessidade de contenção de gastos públicos, o aumento de impostos e as possibilidades de racionamento de água e energia elétrica. "Se o cenário continuar difícil no primeiro semestre, mas o grau de investimento do país for mantido e, no segundo semestre, a expectativa em relação à economia melhorar, as vendas podem ficar no mesmo patamar de 2014 ou crescer até 10%", diz.

Num ano Copa do Mundo e eleições presidenciais, o Secovi-SP chegou a esperar que as vendas ficassem em torno de 20 mil unidades, mas a comercialização registrada nos dois últimos meses possibilitou queda menor. Do total lançado no ano, 34,6% se concentrou em novembro e dezembro, conforme dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo Secovi-SP.

Em 2014, o Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis comercializados caiu 41,9%, para R$ 11,9 bilhões, com a piora das expectativas em relação à economia, da insegurança dos potenciais compradores em assumir financiamento de longo prazo e da elevação de preços dos últimos anos, conforme Petrucci.

A velocidade de comercialização de imóveis medida pelo indicador VSO (vendas sobre oferta) esperada para 2015 é semelhante à do ano passado, quando o indicador ficou em 42%. A média do indicador no período de 2004 a 2014 foi de 58,4%.

A oferta final de unidades não vendidas em 2014 ficou em 27,3 mil unidades. "O número é preocupante e mostra que o mercado precisa de um ajuste", diz Petrucci. Ele estima que a parcela de unidades prontas corresponda de 8% a 10% desse total. Segundo Petrucci, se as vendas aumentarem 10% neste ano, a oferta final de imóveis será de 28,5 mil unidades. Caso haja queda de vendas de 10%, o estoque será de 32,7 mil unidades.

Em relação a preços de imóveis, a perspectiva do economista-chede do Secovi-SP é que os valores se mantenham, neste ano, em relação a 2014. No ano passado, o preço médio dos imóveis lançados na cidade de São Paulo subiu 7,39%. Se descontada a variação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), a alta real foi de 0,4%. Em dezembro de 2014, o preço médio do metro quadrado de área útil da capital paulista era de R$ 9,3 mil.

A participação dos imóveis de um dormitório nos lançamentos da cidade de São Paulo cresceu de 28% em 2013 para 34% no ano passado, conforme o Secovi-SP. A fatia das unidades de dois dormitórios ficou estável em 40% do total. A parcela das unidades de três dormitórios foi reduzida de 25% para 21%, enquanto a participação dos imóveis de quatro dormitórios baixou de 7% para 5%.
  


Fonte: Valor Econômico, 26/02/2015