Pesquisa sobre investimentos na indústria realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou que 82% das grandes empresas pretendem investir neste ano. A expectativa da maior parte dos entrevistados é que os investimentos devem melhorar o processo produtivo e aumentar a capacidade de produção.
O levantamento mostrou também que o ano passado começou e terminou fora da curva. Isso porque, em 2020, 84% das empresas pretendiam investir em um percentual acima dos anos anteriores. No entanto, apenas 69% conseguiram de fato fazê-lo, devido à pandemia, em um dos menores registros na história da pesquisa.
De acordo com o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia, da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, a redução dos investimentos no ano passado ocorreu, em grande parte, pelo elevado custo dos insumos e pela reavaliação do mercado doméstico como destino de seus produtos. “Nós sentimos que os investimentos não foram feitos e foram adiados para este ano, pelo alto custo para investir e pela falta de alternativas de financiamento. Para esse ano, percebemos uma preocupação muito grande com os processos produtivos, que devem ser melhorados, com a aquisição de novas máquinas e tecnologia”, afirmou Abijaodi.
Segundo a CNI, os investimentos previstos devem ocorrer, principalmente, na melhora do processo produtivo, segundo 35% das respostas das indústrias, e no aumento da capacidade de produção, com 33%. Para 15%, o principal objetivo é manter a capacidade produtiva e, para 11% deles, introduzir novos produtos.
Em 66% dos casos, independentemente do objetivo do investimento previsto, há a expectativa de aquisição de máquinas. Além disso, o porcentual do investimento voltado principalmente para o mercado doméstico aumentou de 36% para 39%, mas segue abaixo da média histórica, de 42%.
Nos últimos seis anos, cerca de 70% dos recursos empregados nos investimentos realizados são próprios. Em 2020, o percentual ficou em 72%, idêntico ao de 2019. Segundo a CNI, esse resultado mostra a falta de alternativas viáveis de recursos de terceiros para investir.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Juliano Basile — De Brasília, 23/02/2021

