A Caixa Econômica Federal vai destinar R$ 10 bilhões para a linha de crédito imobiliário com taxa prefixada, lançada ontem no Palácio do Planalto. Nessa nova modalidade, os juros vão variar de 8% a 9,75% anuais, dependendo do prazo de financiamento e do relacionamento com a instituição financeira. As condições são válidas para imóveis residenciais novos e usados, com cota de financiamento de até 80%. As contratações estarão vigentes a partir hoje.

O cliente poderá escolher entre o Sistema de Amortização Constante (SAC), com prazo de 30 anos, ou o chamado Price (com parcelas fixas), para financiamentos de até 240 meses. A nova linha estará disponível apenas para novos contratos. Segundo dados da Caixa, além da modalidade com taxa prefixada, o cliente pode optar pelas linhas já existentes: TR mais 6,5% a 8,75% ao ano, ou IPCA mais 2,95% a 4,95% ao ano.

Em discurso de lançamento da linha, o presidente do banco, Pedro Guimarães, ressaltou que a criação da nova linha só está sendo possível graças à inflação baixa. No caso do contrato indexado à TR, Guimarães destacou a importância de se ter consciência de que a taxa (hoje zerada) pode subir em outros momentos e variar ao longo dos anos. “O programa vai permitir que as pessoas tomem crédito por 20, 30 anos sabendo quanto elas vão pagar.”

O vice-presidente de habitação da Caixa, Jair Mahl, afirmou que está em estudo a possibilidade de migração entre linhas dentro do banco, mas ainda não há uma decisão sobre o assunto. O vice-presidente de finanças e controladoria da Caixa, Gabriel Cardozo, fez questão de ressaltar que a linha prefixada não traz riscos de esqueleto para União caso ocorra uma deterioração da economia brasileira nos próximos anos porque as operações terão hedge. “Não há risco de esqueleto da União”, contou.

Mahl ressaltou que a taxa mínima será de 8% ao ano para contratos de dez anos; de 8,5% ao ano para prazos de 20 anos; e 9% para prazo de 30 anos. A taxa para quem não tem relacionamento com o banco e fizer financiamento de 30 anos será de 9,75%. Ele apresentou ainda uma simulação de financiamento para mostrar que a prestação com um financiamento de taxa fixa é mais alta do que os financiamentos corrigidos pelo IPCA e TR, considerando o SAC e o Price. Porém, ao longo dos anos, há uma inversão disso e o financiamento com taxa fixa fica mais vantajoso.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse no lançamento da nova linha que “não teríamos juros baixos e não teríamos uma inflação controlada se não fosse o programa de reformas que o governo está fazendo”. Ele ainda defendeu a continuidade no processo de reformas. “Nós precisamos continuar no programa de reformas é isso que vai dar sustentação nos juros baixos e no crédito com juros baixos, uma precificação mais eficiente da economia.”

A demanda pela linha de crédito com taxa prefixada anunciada pela Caixa tende a se concentrar nos segmentos de média e alta renda, na avaliação da maior parte dos representantes do mercado ouvidos pelo Valor. Isso porque a prestação tende a ser mais elevada do que nos casos de financiamento por TR mais 6,5% e do crédito corrigido pelo IPCA.

“Quem tem a renda muito comprometida vai preferir o crédito corrigido pelo IPCA, que tem prestação menor. Quem está tranquilo pode optar pelo juro fixo, sem soluço futuro”, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, ressaltando que cada tipo de financiamento se destina a um público específico. Segundo Martins, a nova linha é “sensacional e um grande avanço para o setor”.

O presidente da Abrainc, Luiz Antonio França, considerou muito positivo o anúncio da linha com taxa prefixada. “A linha atende a qualquer valor de imóvel e qualquer perfil de renda. Agora, o comprador tem todas as opções para escolher a que se adequa melhor a ele.” (Colaborou Chiara Quintão, de São Paulo)


Fonte: Valor-Finanças, por Edna Simão e Matheus Schuch - Brasília, 21/02/2020