As vendas de imóveis residenciais novos aumentaram 27%, na cidade de São Paulo, em 2018, para 29.929 unidades, segundo levantamento do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, e superaram a média histórica de 27.600 unidades comercializadas por ano, consolidando o crescimento do mercado.

Já os lançamentos tiveram alta de 4,4%, para 32.762 unidades, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudo de Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo Secovi-SP. O volume lançado também ficou superiores à média histórica anual da capital paulista, que era de 30 mil unidades.

“Imaginávamos que o ano fosse medíocre, mas foi razoável”, afirma o presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet. Segundo o representante setorial, o desempenho do setor foi bem até maio, quando ocorreu a greve dos caminhoneiros e piorou até o terceiro trimestre em função das incertezas. “Em outubro, a situação se definiu, para o bem ou para o mal, com a escolha de um presidente”, disse.

Para este ano, há expectativa de estabilidade do volume de lançamentos e de vendas em relação aos de 2018. Em relação ao Valor Geral de Vendas (VGV), o Secovi-SP projeta aumento de 10% ante os R$ 14,4 bilhões de 2017.

“Nossa expectativa é boa desde que haja reforma da Previdência. O mercado imobiliário amplifica as oscilações da economia. Precisamos também de calibragem da Lei de Zoneamento”, disse Jafet.

O volume de unidades apresentadas ao mercado nos dois últimos meses do ano correspondeu a 42% do que foi lançado em 2018, enquanto as vendas de novembro e dezembro responderam por 30% do total.

No fim de dezembro, havia 22,3 mil unidades em oferta na cidade de São Paulo. Esse volume considera o total ofertado em novembro mais as unidades lançadas em dezembro, menos as vendas líquidas do mês que correspondia a 74,6% do total comercializado em 2018.

Os lançamentos enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, na cidade de São Paulo, aumentaram de 37% do total, em 2017, para 44% no ano passado, segundo o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

“A nossa nova Lei de Zoneamento contribuiu muito para a produção de unidades do Minha Casa, Minha Vida na cidade de São Paulo”, diz Petrucci. Em 2017, o volume lançado de unidades econômicas foi de 11.536 e, em 2018, chegou a 14.382. 

Das vendas realizadas em 2018, as unidades com perfil econômico responderam por 37% do total, ante 27% em 2017.

Apesar disso, as mudanças na estrutura de órgãos públicos ligados ao setor de habitação levaram à redução da liberação de recursos para o programa habitacional em janeiro, segundo Petrucci.

Enquanto em janeiro de 2017, foram liberados recursos de apoio à produção, carta de crédito e linha Pró-cotista do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para 78 mil unidades, mas o volume foi inferior a 15 mil unidades no primeiro mês deste ano.

Entre as mudanças citadas por Petrucci estão a incorporação do Ministério das Cidades pelo Ministério do Desenvolvimento Regional.

“Apenas no dia 2 de fevereiro, o ministério começou a empenhar verbas previstas na Lei Orçamentária para subsídios”, disse o economista. Petrucci acrescentou que o novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, “está tomando pé da situação, e o banco não está operando a pleno vapor”, o que deve ocorrer em 30 dias. Ainda não houve reunião do Conselho Curador do FGTS neste ano.

Perspectiva para 2019 

O presidente do Secovi-SP afirmou que a expectativa é de alta de preços de imóveis em São Paulo, em 2019, em função dos maiores custos de produção decorrentes do novo Plano Diretor, de outorgas mais caras e de altas de custos de mão de obras e materiais. “Os valores já aumentaram, efetivamente, no ano passado”, disse Jafet.

Em 2018, a média de preços por metro quadrado teve alta de 5,93%, para R$ 9.085. O aumento no segmento econômico foi de 2,54%, enquanto nos demais chegou a 9,43%.

Basílio Jafet ressaltou que, nos últimos anos, consumidores adiaram a compra de imóveis devido a fatores como a perspectiva de queda de preços, o que não ocorre mais.

“Os terrenos estão ficando mais caros e escassos”, afirmou o vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP, Emílio Kallas.

Segundo ele, existe risco de haver falta de apartamentos de três dormitórios, na capital paulista, com área de 160 metros quadrados e duas ou três vagas de garagem se não forem feitas revisões na Lei de Zoneamento.

De acordo com Kallas, o secretário de Habitação do município, Fernando Chucre, está estudando mudanças propostas pelo setor para a legislação, e a expectativa é que as alterações sejam aprovadas pela Câmara dos Vereadores até meados do ano.


Fonte: Valor, por Chiara Quintão, 20/02/2019