Presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Eunício Oliveira (PMDBCE) e Rodrigo Maia (DEMRJ) entraram em acordo para acelerar a regulamentação da terceirização nas relações de trabalho.
Será dada prioridade ao projeto de lei que atualmente está na Câmara e que permite a terceirização para todas as atividades da empresa.
O projeto em discussão no Senado, cujo relator é o senador Paulo Paim (PTRS) não será pautado no plenário. Paim é contra a terceirização da atividadefim e pretendia emplacar essa mudança em seu substitutivo.
"Conversei com Rodrigo Maia e o projeto deles está muito mais adiantado. Disse a ele que não temos nenhuma vaidade [em votar o projeto que tramita no Senado] e o presidente da Câmara se comprometeu a colocar em regime de urgência", contou Eunício.
Atualmente, a proposta está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mas será acelerada por Maia. O relator, Laércio de Oliveira (SDSE), disse ao Valor ter sido procurado por Eunício e não vê problemas em levar a matéria direito ao plenário.
Como o texto tem origem na Câmara e já passou pelo Senado, os deputados não podem mais modificar o texto, apenas confirmar ou rejeitar as mudanças feitas pelos senadores. A proposta assusta sindicatos de trabalhadores. Além de permitir a terceirização da atividadefim aquela para a qual a empresa foi criada , não salvaguarda, alegam, os direitos da mão de obra subcontratada.
Não há, por exemplo, regras para tentar diminuir a ′pejotização′ recontratados como pessoa jurídica, sem direito a férias ou 13º salário. O texto nas mãos de Paim, que deve ser engavetado, autoriza a terceirização, mas foram negociadas salvaguardas ainda no governo de Dilma Rousseff:
uma ′quarentena′ entre a demissão de um funcionário no regime de CLT e a contratação dele como pessoa jurídica (PJ), recolhimento antecipado de parte dos encargos trabalhistas, com responsabilidade solidária da empresa contratante se estes não forem pagos, e a representação pelo sindicato da categoria.
Atendendo a um pedido dos governadores que foram a Brasília ontem, Eunício anunciou ainda que o Senado voltará a analisar na semana que vem o projeto que permite à União, Estados e municípios venderem ao mercado financeiro créditos que têm a receber de contribuintes, a chamada securitização de dívidas. Sem acordo sobre os term os da proposta, o Senado acabou por rejeitar o
texto substitutivo apresentado em dezembro. Fezse à época um acordo para que a securitização voltasse a ser discutida em comissões, nos moldes da proposta original e com realização de audiências públicas. Eunício deu a entender que trabalhará para acelerar esse trâmite.
Originalmente, o projeto de José Serra (PSDBSP), atual ministro de Relações Exteriores, prevê que 70% da receita decorrente da venda de dívidas já reconhecidas seja usada para amortização de dívida pública fundada e aporte em fundos de previdência. Os 30% restantes seriam destinados a
investimentos. Os parlamentares discordam e querem mais dinheiro para investir nos Estados, enquanto o Ministério da Fazenda que defende o uso dos recursos para abatimento de dívidas.
Fonte: Valor - Politica, por Vandson Lima e Raphael Di Cunto, 16/02/2017

