Os lançamentos e as vendas de imóveis residenciais crescerão de 5% a 10%, na cidade de São Paulo, neste ano, segundo o Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. A projeção foi traçada a partir das expectativas da entidade de aceleração da vacinação contra a covid-19, expansão de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), manutenção das taxas de juros do financiamento imobiliário e avanço das reformas administrativa e tributária.
Em meados de janeiro, o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, informou ao Valor que esperava que os lançamentos crescessem, em 2021, mas que as vendas ficassem estáveis. Ontem, ele apontou revisão, considerando o volume de lançamentos registrado em dezembro. Parte das unidades lançadas em outubro e novembro não tinham sido computadas e entraram, portanto, como imóveis apresentados no último mês do ano. Com o consequente aumento da oferta, a entidade passou a prever alta nas vendas para este ano.
“Tivemos uma enorme discussão a respeito da estimativa. Não há um consenso interno”, contou Jafet, em coletiva de imprensa.
O presidente do Secovi-SP citou, entre os fatores que favorecem o mercado imobiliário, os juros baixos. Por outro lado, ressaltou que há fatores de risco, como “a inflação sair do controle”, resultando em alta de juros e piora do desemprego. “A grande preocupação é com a taxa de desocupação, ainda muito alta”, disse o economista-chefe da entidade, Celso Petrucci.
Em 2020, os lançamentos de imóveis residenciais tiveram queda de 8%, na cidade de São Paulo, para 59.978 unidades, segundo o Secovi-SP. Apesar da queda, o desempenho superou a expectativa de Jafet de que o volume lançado ficaria por volta de 50 mil unidades. “Não esperávamos os números obtidos”, disse o presidente.
Jafet citou que, nos últimos anos, houve “cisnes negros” que dificultaram a expansão do mercado. “Em 2016, tivemos o impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff]; em 2017, as denúncias envolvendo a JBS [e o então presidente Michel Temer] e, em 2018, a greve dos caminhoneiros. Em 2019, conseguimos andar um pouco, mas, em 2020, veio o grande imprevisto, que foi a pandemia”, afirmou o dirigente.
Do total de unidades apresentadas ao mercado, o segmento econômico respondeu por 49%, o de médio e alto padrão, por 28%, e o de um dormitório, por 23%. O segmento econômico foi responsável pela maior queda de lançamentos, de 9%. O volume lançado de outros segmentos caiu 7%.
O total das vendas de imóveis residenciais novos cresceu 4%, no ano passado, para 51,4 mil unidades, ficando acima do esperado, de 50 mil unidades. “O ano de 2020 foi uma surpresa em termos de vendas para nós”, disse Petrucci. A comercialização de imóveis ganhou força a partir de junho, com destaque para o quarto trimestre. Foi registrada alta de 11% das vendas de unidades econômicas. Outros segmentos recuaram 1%.
O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado caiu 22%, para R$ 27,27 bilhões. Já o VGV comercializado teve queda de 5%, para R$ 25,02 bilhões. Houve expansão de 4% no segmento econômico, mas queda de 7% em outras faixas.
Jafet afirmou que pode haver aumento dos valores de imóveis se nova alta de preços de aços longos for confirmada. “Não há um número oficial, mas corre, no mercado, que pode haver alta de 37% nos preços de aços longos em março. Se a elevação ocorrer, efetivamente, vai se refletir no preço de venda de imóveis.” Ele citou que os preços dos imóveis são afetados pelos valores dos materiais, do terreno, da outorga onerosa (contrapartidas financeiras para que incorporadoras possam erguer empreendimentos além do potencial construtivo básico) e de mão de obra.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 11/02/2021

