Sem significativas reservas de caixa para investimentos de grande porte e de longo prazo, administradores de algumas das empresas de água do interior paulista e prefeitos de diferentes cidades planejam pedir ajuda para as esferas estadual e federal e organismos multilaterais, como bancos de fomento internacionais, para financiamentos de novas obras.

A redução do consumo de água pela população ­ uma boa notícia no enfrentamento da crise hídrica ­ levou a um problema de caixa para algumas empresas de água e esgoto, especialmente àquelas que ainda são municipais, que perderam receita e não possuem fontes alternativas de recursos.

Nas estimativas do consórcio PCJ, a economia de água da população desde que se iniciaram as campanhas de conscientização variou entre 20% e 30%, dependendo do município. A redução de receita é equivalente ao encolhimento do consumo.

Em Valinhos, onde o consumo de água caiu 20% no último ano, a autarquia local de saneamento está usando em 2015 o caixa acumulado nos dois anos anteriores para levar a cabo o plano emergencial de combate à escassez hídrica.

Luiz Mayr, presidente do Departamento de Água e Esgoto da cidade (Daev), conta que a arrecadação caiu R$ 500 mil por mês. "Esse era o nosso poder de investimento. Neste ano vamos gastar R$ 10 milhões em obras. Depois disso não teremos mais fôlego, vamos ter que captar recurso externo, pois a empresa não suporta mais fazer esse tipo de aporte", diz.

O Consórcio PCJ, que congrega 7 6 municípios, está consolidando com os prefeitos um plano para investimentos em obras para entregar ao governo federal nos próximos meses. Um dos pleitos para dar maior fôlego às companhias municipais é a desoneração da energia que usam para tratar a água. "As obras precisam ser feitas e não há perspectiva de arrecadação que possa bancá­las", diz Andrea Borges, gerente técnica do Consórcio PCJ.

"O primo pobre da federação se chama município. O município mais rico é pobre", disse o prefeito de Limeira, Paulo Hadich, sobre a necessidade de busca de outras fontes de recursos para os novos projetos.

Ele estuda um projeto de reutilização de água no município. Ainda não há praticamente reúso em Limeira. Segundo ele, quando for finalizado o projeto, serão necessários outros mecanismos de financiamento que não os recursos municipais, como os organismos multilaterais.

O presidente do DAE­Jundiaí, Jamil Yatim, também pensa em acessar organismos multilaterais para novos projetos. Ele diz que até o meio de ano pretende colocar em uma estação de tratamento da cidade o reúso de água. "Hoje a gente não consegue fornecer reúso para lavar um jardim ou para colocar numa caldeira. Vamos começar a investir nisso", disse ele, que não tem ainda um estudo definido, mas destacou que "muito provavelmente" vai precisar de auxílio de organismos multilaterais. O DAE­Jundiaí não estimou o valor do investimento.


Fonte: Valor Econônico, por Rodrigo Pedroso e Vanessa Jurgenfeld, 09/02/2015