A despeito das já elevadas quantias praticadas no mercado residencial paulistano, os valores de imóveis prontos indicam bom fôlego de crescimento em alguns bairros de padrão médio e alto. Levantamento realizado pela imobiliária Coelho da Fonseca sobre 4.353 unidades vendidas de janeiro de 2012 a dezembro de 2013 nas zonas sul e oeste – onde está a maior parte das regiões ricas de São Paulo – aponta que os preços firmados em contrato subiram até 38% na comparação anual.
Esse porcentual foi verificado no Alto da Boa Vista, conhecido pelas suas casas de alto padrão no distrito de Santo Amaro, e está bem acima da média verificada em 22 bairros pesquisados pela empresa: 14%. A tendência no geral é, inclusive, de desaceleração nos aumentos. Em 2012, a expansão foi de 22% e, um ano antes, estava em 26%.
A dinâmica populacional da cidade, o desenvolvimento no mercado de lançamentos e a escassez de produtos imobiliários novos são algumas das razões que explicariam elevações mais expressivas nos valores dos contratos de compra e venda dos usados, segundo o diretor geral de terceiros da Coelho da Fonseca, Fernando Sita.
“Na cidade, há vetores de crescimento. No mercado residencial, a pessoa, no passado, tentava comprar nos Jardins, depois foi para Moema e, depois, para o Campo Belo. Como os lançamentos lá passaram a ter valores altos também, a procura pelo Alto da Boa Vista aumentou”, argumenta. O preço do metro quadrado no bairro vale R$ 7.844, cerca de R$ 1 mil a menos do que no vizinho Campo Belo.
Outro fator determinante de valorização, segundo ele, são as melhorias pelas quais passa a zona sul de São Paulo. Atualmente, estão em obras por ali a linha 5-lilás e a linha 17-Ouro do metrô – o monotrilho. “O Alto da Boa Vista tem outro fator muito positivo: naquela região, há o vetor de crescimento comercial de São Paulo (no eixo do prolongamento da Avenida Doutor Chucri Zaidan até a Avenida João Dias).”
A demanda elevada na trilha de preços mais atraentes também teria sido o motivo da valorização na Saúde, a região com a segunda maior valorização indicada no levantamento, de acordo com Sita. “ O que puxa o preço do imóvel usado por lá é a atividade das incorporadoras. Na Vila Mariana, não dá mais para construir com tanta facilidade, e o bairro da Saúde é uma extensão natural dessa região. Lá, prédios com maior valor de metro quadrado estão sendo erguidos no lugar das casinhas.”
Para o engenheiro químico Gustavo Nakamura, de 29 anos, que se mudou em maio para um imóvel de três dormitórios na Saúde, a apreciação dos imóveis naquela região deve-se à facilidade de acesso aos demais pontos das cidade, a infraestrutura do bairro em relação ao transporte público e serviços e o preço mais viável se comparado a outras regiões da cidade.
“Não tínhamos a ideia de mudar. Morávamos bem próximo ao metrô Santa Cruz, em um apartamento de dois dormitórios, com 60m². Mas surgiu a oportunidade de conhecer o nosso atual apartamento, que estava à venda porque o antigo proprietário havia se mudado para Santos.” A nova unidade, pouco mais ao sul, tem 100 metros quadrados de área útil.
Ainda que o preço ajude, outros fatores têm contribuído para as altas de valores mesmo em regiões com imóveis onde poucos são capazes de comprar. Bairros tradicionais e consolidados normalmente têm poucas ofertas de lançamentos, abrindo espaço para imóveis mais antigos, como ocorre nos Jardins, com elevação de 19%, e Higienópolis, com alta de 25%. Outras vizinhanças, como Vila Madalena, são atraentes pelo seus ares descolados, capazes de transformá-las em endereços cult.
Já os bairros Itaim e Vila Olímpia, na opinião de Sita, teriam sido beneficiados pelo desenvolvimento corporativo e pela valorização de equipamentos com acesso público para frequentadores de alta renda, caso da inauguração de um shopping de luxo e da reestruturação total de um parque municipal.
“Para as regiões mais nobres, o que traz mais valorização é o tipo de negócio que se instala e das pessoas que circulam por lá”, acrescenta a diretora da área de vendas de imóveis de terceiros do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Roseli Hernandes.
Fonte: Estadão, 03/02/2014

