O que devo observar para obter ganhos de verdade, acima da inflação, nos investimentos?
Bruno Mori, CFP, responde:
Prezado(a) leitor (a), obter ganhos reais nos investimentos é muito importante para a saúde financeira pessoal. Vale lembrar que ganhos reais são aqueles obtidos quando o rendimento dos investimentos supera a taxa de inflação em determinado período. Os rendimentos percentuais abaixo da taxa de inflação causam uma diminuição do poder aquisitivo ao longo do tempo e esse processo causa um empobrecimento que deve ser evitado.
O primeiro ponto a ser observado é a taxa de inflação ao consumidor, que no Brasil é medida pelo IBGE e é conhecida pelo nome de IPCA. Esse índice é divulgado mensalmente e representa a evolução média aproximada dos preços dos bens e serviços consumidos pela maioria das pessoas nas principais regiões metropolitanas do país. É importante acompanhar a variação percentual desse índice ao longo do tempo para saber o rendimento mínimo para a obtenção de ganhos reais.
O segundo aspecto a ser observado é o rendimento percentual da própria carteira de investimentos. Muitas pessoas desconhecem a rentabilidade da composição de todos os seus investimentos. Sem essa informação, é difícil saber se estão obtendo ganhos reais em suas aplicações financeiras. É comum ter investimentos em mais de um banco ou corretora; nesse caso a recomendação é consolidar as informações num mesmo controle. A ideia básica desse cálculo é observar a variação monetária das aplicações consolidadas em momentos diferentes. Normalmente esse cálculo é feito comparando os valores no último dia útil de cada mês (ou de cada ano).
Como alternativa a essa questão, algumas opções de investimento vinculam o rendimento da aplicação financeira à variação de índices de preço. Um bom exemplo são os títulos do Tesouro conhecidos como Tesouro IPCA +, cujo rendimento é composto pela variação percentual do índice de preços mais um percentual adicional pré-fixado.
O processo de realocação dos investimentos deve começar com a separação de um valor suficiente para cumprir com os gastos pessoais pelo período de aproximadamente um ano. Esses recursos devem estar investidos em aplicações financeiras de baixo risco e liquidez imediata (a rentabilidade não deve ser o fator de decisão de alocação desses recursos).
É importante descobrir o nível de tolerância ao risco de cada um. A tolerância ao risco é o resultado da disposição ao risco somada à capacidade que cada um tem de correr mais risco, sem comprometer a saúde financeira e a segurança da pessoa. A busca por melhores rendimentos pode se tornar desafiadora, especialmente num contexto de juros historicamente baixos. A recomendação é estudar os produtos de investimento e, em caso de dúvidas, buscar ajuda profissional.
Bruno Mori é planejador financeira pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar - Associação Brasileira dos Planejadores Financeiros E-mail: bmori@sarfin.com.br
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Fonte: Valor Econômico - Valor Investe, por Consultório Financeiro, 01/02/2021

