Os 12 recordes batidos pela Bolsa brasileira em janeiro levaram o Ibovespa ao melhor desempenho mensal desde outubro de 2016, em um contexto de otimismo com o bom momento dos mercados internacionais e a confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O índice das ações mais negociadas subiu 11,1% em janeiro, atingindo 84.912 pontos. O dólar fechou a R$ 3,18, queda de 4% no mês.

Fundos de ações indexados ao Ibovespa, alternativa para quem quer investir em Bolsa e acompanhar a variação do indicador, lideraram o ranking de investimentos elaborado pela Folha, com alta de 9,8%, após desconto de Imposto de Renda.

Parte da valorização deve ser creditada ao bom humor nos mercados internacionais, que levou os principais índices americanos a atingir níveis elevados. As Bolsas de Londres e Frankfurt também bateram recordes.

?O bom humor no mercado global favoreceu os emergentes, principalmente os ligados a commodities. Mas o julgamento do Lula serviu como catalisador para o excesso de liquidez global. Havia investimento represado e, após o julgamento, o dinheiro chegou com mais ímpeto?, diz Raphael Figueredo, sócioanalista da Eleven Financial.

Para os investidores, a decisão unânime do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) diminui as chances de o petista conseguir disputar as eleições deste ano.

O receio do mercado é que, em uma eventual vitória do ex-presidente, sejam revertidas as medidas de ajuste para tentar devolver o equilíbrio fiscal ao país.

Figueredo tem a perspectiva de valorização da Bolsa, ainda que com menor intensidade. ?A alta vem por uma expectativa de médio prazo. Ainda há um fluxo de investidores que estavam na renda fixa e que, com a queda dos juros, migrarão para ativos mais arriscados em busca de retorno maior.?

No ranking, aplicações de renda fixa tiveram retorno tímido. O melhor resultado veio do Tesouro IPCA 2024, com alta de 3,42% ?descontado o Imposto de Renda.

A perspectiva é de ganhos baixos. ?Há uma expectativa de novo corte de juros no Copom [comitê de política monetária do Banco Central], o que levaria o juro a 6,75%?, diz Vinícius Maeda, diretor de relações com investidores da plataforma Magnetis.

Para Joelson Sampaio, da FGV (Fundação Getulio Vargas), a renda fixa é uma oportunidade para quem precisa do dinheiro no curto prazo. ?O investidor não pode colocar dinheiro em Bolsa agora e tirar no ano que vem, porque o risco eleitoral é grande. Tem que diversificar?, avalia. DE BRASÍLIA - O governo vai incluir nas despesas previstas para este ano os gastos com o reajuste dos servidores federais.

A previsão era uma economiza de R$ 4,4 bilhões com o adiamento dos reajustes para 2019. Mas o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, barrou a iniciativa e o reajuste está valendo por força de liminar. O primeiro pagamento será feito em fevereiro.

Cálculos refeitos pelo Ministério do Planejamento indicavam, nesta quarta-feira (31), que a volta desses reajustes ao Orçamento provocará uma despesa R$ 5,6 bilhões ao governo federal neste ano.

O ministério informou que segue tentando derrubar a liminar e que, por obrigação legal, tem que considerar a despesa nas projeções de 2018.

Esse aumento de gastos, além de despesas extras com a política de desoneração da folha de pagamentos ?também fora da previsão orçamentária?, levou técnicos do governo a avaliar um cancelamento de despesas de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões. Os números deverão ser fechados nesta sexta (2).

O cancelamento será necessário, afirmam fontes do governo, apesar da economia com outras despesas, como com previdência, abono salarial e seguro-desemprego.

Fonte: Folha de São Paulo - Por Danielle Brant, 01/02/2018