Um dos principais desafios do projeto de despoluição do Pinheiros é evitar que cheguem ao leito do rio nove mil toneladas por ano de resíduos sólidos, como pneus, garrafas, plásticos, e até móveis e eletrodomésticos velhos. Segundo o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Marcos Penido, a tarefa exigirá uma ação de educação ambiental da população que vive na área de influência do Pinheiros combinada com novos sistemas de retirada do lixo ainda na foz dos afluentes.

A educação ambiental terá como foco conscientizar a população sobre a necessidade de separar o lixo reciclável e dar a ele uma destinação correta. Será realizada em parceria com a Prefeitura de São Paulo, que disponibilizará agentes de saúde e funcionários de nove subprefeituras para ações educacionais nas comunidades do entorno dos afluentes.

Caberá à Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) identificar os locais onde o descarte incorreto do lixo é mais comum e estabelecer pontos de coleta nas proximidades, além de formar parcerias com cooperativas de catadores.

Na foz dos afluentes do rio serão instalados redes e braços mecânicos que farão a coleta do lixo, antes do desague. O trabalho de recolhimento do lixo flutuante realizado atualmente por meio de barcos será mantido enquanto necessário.

O aprofundamento da calha do Pinheiros teve início em agosto. O objetivo é aumentar a vazão e facilitar a oxigenação da água. Em uma primeira etapa, orçada em R$ 100 milhões, a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) deverá retirar 500 mil m³ de resíduos do fundo do rio e desocupar duas áreas de deposição transitória dos resíduos, os bota fora, que ocupam áreas marginais ao leito.

Numa segunda etapa, o governo irá fazer um edital para ceder a manutenção da limpeza do leito do rio em troca de a empresa vencedora explorar comercialmente a areia retirada.

Gustavo Veronesi, coordenador técnico do Observando os Rios da SOS Mata Atlântica, entende ser esse um ponto frágil do projeto de despoluição do Pinheiros. “Retirar resíduos do leito do rio sem cuidar da erosão das cabeceiras é como enxugar gelo, não tem fim”, afirma. “Se o trabalho não for contínuo, tudo se perde rapidamente.”


Fonte: Valor- Suplementos, por Domingos Zaparolli - Para o Valor, de São Paulo, 27/01/2020