O volume de aquisições de ativos imobiliários, com destaque para escritórios e galpões, tende a crescer neste ano. A expectativa de movimento maior resulta da percepção de que os preços podem estar perto do patamar mais baixo e pela redução da taxa de juros, que contribui para tornar o
investimento em aluguel mais interessante e para a captação de recursos a taxas mais baixas.
Empresas de propriedades comerciais e gestoras de fundos de private equity são os principais compradores potenciais. Comentase que fundos de pensão podem se desfazer de ativos, além de companhias de renda que queiram reciclar portfólio ou necessitem de liquidez, e pessoas físicas.
A Hemisfério Sul Investimentos (HSI), por exemplo, já divulgou que pode desembolsar até R$ 1,5 bilhão em ativos imobiliários, neste ano, com concentração das compras no primeiro semestre. Existe expectativa, no mercado, que Brookfield e Blackstone, que fizeram aquisições, nos últimos anos, também busquem ativos. Esperase que a BR Properties vá às compras para recompor seu portfólio. Em 2014, a companhia vendeu seus galpões para a Global Logistic Properties (GLP) por
R$ 3,18 bilhões e, no ano seguinte, comercializou mais de R$ 3 bilhões para Brookfield e Blackstone.
Segundo fonte, a BR Properties está em fase de due dilligence (auditoria de dados) para aquisição de ativos da Previ em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tratase do Condomínio Centenário Plaza conhecido como Robocop , o prédio ao lado ocupado pela Claro e a fatia da Previ no Condomínio São Luiz, todos na zona Sul da capital paulista. No Rio de Janeiro, a BR Properties está comprando o Passeio Corporate. Procurada, a BR Properties informou que não comenta rumores de mercado.
Nesta semana, a Cyrela Commercial Properties (CCP) divulgou acordos com o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) e a Prologis referente à negociação de fatias em escritórios comerciais e galpões. A CCP transferiu ao fundo canadense 33% de sociedades detentoras de seus escritórios. Juntos, CCP e CPPIB vão investir até US$ 400 milhões em joint ventures em escritórios. A CCP recebeu do CPPIB participações que o fundo possuía no portfólio de galpões, no qual a empresa de propriedades comerciais tem 25%. Ao fim da operação, a CCP vai vender à Prologis metade do que terá em galpões após o negócio com a CPPIB. A CCP é sócia da Prologis na Prologis CCP.
Fonte de uma consultoria de mercado conta ter sido solicitada por fundos estrangeiros para busca de imóveis para aquisições. Já o diretor da Engebanc Real Estate, Marcelo Costa Santos, conta que há pessoas físicas com intenção de comprar lajes corporativas, o que não ocorria há oito meses.
Em 2016, havia expectativa que mais operações de compra e venda seriam realizadas do que de fato ocorreu. Investidores esperavam que, em um ambiente de crise, imóveis, principalmente de escritórios, tivessem desvalorização acentuada. Mas o baixo nível de endividamento dos proprietários freou a queda dos valores, e houve descasamento entre expectativas de vendedores e compradores.
Segundo um executivo do setor, os dois lados terão de ceder neste ano, depois de não terem chegado a termo comum em 2016. Santos, da Engebanc, avalia que compradores estão dispostos a pagar mais em decorrência da queda da Selic e da sinalização que haverá novos cortes. Isso não significa, de acordo com Santos, alta de preços, mas aproximação dos valores pedidos. Os ativos terão aumento, no entendimento dele, quando a taxa de juros chegar a 10%, e investidores tiverem percepção da "real necessidade de diversificação".
No mercado, há expectativa que os valores de locação possam subir a partir de 2018, o que tende a se refletir no preço de compra e venda dos imóveis. A percepção é que é preciso aproveitar os últimos meses antes de a economia começar a reagir, com consequente elevação dos valores dos ativos. Os preços de locação tendem a ficar estáveis ou ter variação próxima à inflação em 2017, na avaliação de outro executivo.
Tanto no segmento de escritórios quanto no de galpões, os últimos anos foram marcados por desequilíbrio entre oferta e demanda, com crescimento da vacância e redução dos valores de aluguel. Santos ressalta que a ocupação não é homogênea. No segmento de galpões, por exemplo, a vacância é de 60%, em Sorocaba, segundo ele, mas na região do ABC paulista, não há.
A vacância dos ativos da Ático Imobiliário aumentou de 7% para 44% em 2016, segundo o diretor da gestora de fundos, Mauro Abranches. A vacância de lajes corporativas ficou em 60%, enquanto a de galpões principal segmento de atuação da Ático foi de 30%. O foco é o Estado do Rio de Janeiro, mas há ativos em São Paulo. Segundo Abranches, a vacância resultou da piora da economia do Rio de Janeiro, com a crise do segmento de óleo e gás. A Ático monitora potenciais aquisições, mas tem focado as atenções na ocupação de seus ativos. A preferência é comprar imóveis já ocupados.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 27/01/2017

