O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se reunirá na quarta-feira, na sede da prefeitura paulistana, com prefeitos de cidades da região metropolitana abastecidas pela Sabesp e com o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, para discutir a crise hídrica enfrentada pelo Estado. Ontem, o prefeito afirmou que pretende atuar na coordenação dos prefeitos para melhorar a comunicação com a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), responsável por garantir o abastecimento de água da população.
Haddad reclamou da demora do governo estadual para marcar o encontro. "É uma reunião que já poderia ter acontecido. Tentamos algumas vezes no ano passado e finalmente o secretário [Benedito Braga] recém-empossado se prontificou a comparecer", disse, ao participar das comemorações do aniversário da cidade.
Prefeitos paulistas têm se queixado desde o ano passado da falta de transparência do governo Alckmin sobre a crise hídrica e de informações sobre os planos estaduais para combater o problema em São Paulo. Criticam, ainda, o pouco diálogo com prefeitos para articular medidas para enfrentar a crise.
"É importante os prefeitos terem um conhecimento fino dos cenários possíveis para os próximos meses. Teremos um período natural de estiagem e queremos saber como proceder", disse Haddad. "Quanto mais canais de comunicações transparentes abrirmos, para que os gestores públicos possam participar, melhor para o governo do Estado [de Geraldo Alckmin]. A questão não é político partidária".
Segundo Haddad, um dos temas propostos para a reunião é a multa para os consumidores e como será a plicação da punição. "[O objetivo é saber] para onde vão os recursos, o que se pretende com isso do ponto de vista da economia, quais outras medidas podem ser tomadas. Neste momento, temos que estar à disposição das autoridades governamentais para orientar a população", disse.
Aniversariante do dia, Haddad afirmou ontem que gostaria de ganhar como presente mais chuvas no Cantareira, ao ser questionado por jornalistas.
Ontem, o sistema Cantareira registrou mais uma queda e o nível baixou 0,1 ponto percentual em relação ao índice do dia anterior, operando com 5,1% de sua capacidade. O Cantareira abastece cerca de 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo e é o principal sistema da região metropolitana.
Desde o dia 11 de janeiro, o volume do sistema Cantareira não para de cair, apesar das chuvas.
Diante da situação, o governo Alckmin instituiu uma sobretaxa sobre o aumento de consumo, e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu a possibilidade de racionamento "se continuar a não chover nos lugares certos e nas quantidades necessárias". Durante toda a campanha eleitoral de 2014, no entanto, Alckmin negou de forma categórica qualquer tipo de racionamento.
Hoje, a associação de defesa dos direitos do consumidor Proteste fará um protesto em frente à sede do governo paulista contra a crise hídrica. A entidade quer que o governo faça um decreto oficial de racionamento antes de instituir a sobretaxa na conta de água.
O governo federal prevê que as represas de São Paulo poderão secar dentro de quatro a cinco meses. Em outro cenário estudado pelo governo, menos pessimista, existe a possibilidade de um colapso nos reservatórios em setembro. (Com Folhapress)
Fonte: Valor Econômico, 26/01/2015

