No cenário crítico de baixa do nível dos reservatórios hidrelétricos e piora do volume de chuvas em janeiro, principal mês do período úmido, uma solução de curto prazo pode ajudar a economizar energia. Cálculos da Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) indicam que existe um potencial de redução de consumo de energia de 40% a 70% na iluminação pública, principalmente com a substituição de lâmpadas convencionais pelas de tecnologia LED. Essa medida pode reduzir em até 10 mil gigawatts-hora (GWh/ ano) o consumo, o equivalente a pouco mais de 2% do total do país.

A proposta foi apresentada como prioritária à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em reunião no começo deste mês, para discutir medidas de estímulo à eficiência energética. Desde 1º de janeiro, a gestão da iluminação pública passou das distribuidoras de energia para as prefeituras.

Segundo a Abesco, o custo de implantação de um sistema completo de tecnologia LED é de aproximadamente R$ 1 mil por unidade, incluindo a luminária. O retorno do investimento ocorre entre três e quatro anos. A entidade ressalta ainda que, como as lâmpadas LED têm vida útil superior, o custo de manutenção é menor.

Outro levantamento da Abesco, em parceria com a comercializadora Safira Energia, indica que o nível dos reservatórios hidrelétricos no início de 2015 é o pior desde 1955. Na semana passada, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reviu para 17%, a previsão de armazenamento dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país, no fim de janeiro.

"Diante desse cenário crítico, consumidores precisam pensar em como fazer para economizar energia", disse Aguiar. "A indústria e o comércio devem fazer estudos e revisar projetos de economia de energia engavetados." Segundo ele, o Brasil desperdiçou cerca de 250 mil GWh em seis anos, o equivalente a R$ 62 bilhões.

Entre outras propostas apresentadas pela Abesco estão a criação de incentivos financeiros e fiscais para investimentos em eficiência energética e da viabilização do cartão BNDES não só para diagnósticos de consumo, mas também para a realização do projeto.

A Abesco pretende criar até fevereiro um grupo de trabalho com o Ministério do Meio Ambiente, BNDES e a Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), do Banco Mundial, para estudar formas de estimular linhas de financiamento para projetos de economia de energia. A ideia é estruturar workshops para agentes financeiros ao longo deste ano.

Segundo Aguiar, o custo médio de um projeto de economia de energia é de cerca de R$ 60 por megawatt-hora (MWh). Segundo ele, o valor é muito inferior ao que se paga pela energia.

De acordo com Ananda Soares, gerente de eficiência energética da Safira, levantamento feito em uma fábrica de alimentos com consumo médio de 666,2 MWh/mês indicou a possibilidade de economia de 16% do uso de energia - 101,2 MWh -, o suficiente para abastecer, por mês, cerca de 700 residências com até quatro pessoas e economizar em torno de R$ 46 mil.


Fonte: Valor Econômico, por Rodrigo Polito, 26/01/2015