O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que o edital do projeto de transposição de água da Represa Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, para o Reservatório Atibainha, do Sistema Cantareira, deve ser lançado na próxima sexta-feira, 30.
O projeto foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na semana passada, como incentivo para socorrer o Cantareira.
"(O projeto) foi enquadrado no PAC, por isso nós podemos aplicar o regime de licitação mais rápido. Deve ser aprovado no Conselho da Sabesp na quinta-feira (29) e, na sexta-feira (30), já deve estar lançado o edital dessa obra", afirmou o governador durante a inauguração de um centro de logística da General Motors (GM) em São Caetano, no ABC Paulista.
O projeto havia sido anunciado por Alckmin em março de 2014, com custo estimado em R$ 500 milhões e com conclusão prevista em 18 meses. A obra, que prevê levar 5 mil litros de água por segundo de um reservatório a outro, é uma das principais apostas do governo tucano para tentar recuperar o manancial em crise.
"É uma obra importante: histórica, eu diria. O que o mundo faz hoje com essas mudanças climáticas extremas, com chuvas demais ou secas demais? Você interliga bacias hidrográficas. Uma ajuda a outra", comentou o governador.
Segundo ele, as obras estavam previstas para 2020 no Projeto Macrometrópole, do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). "Mas nós estamos o antecipando em cinco anos."
À época, o anúncio da transposição causou polêmica com o governo do Rio de Janeiro, que temia impacto negativo na vazão do Rio Paraíba, única fonte abastecimento de água para mais de 10 milhões de pessoas naquele Estado.
As trocas de farpas entre governantes e as eleições em 2014 atrasaram as negociações para a execução do projeto, que precisa de aval da Agência Nacional de Águas (ANA), porque o Rio Paraíba é federal.
Após as eleições,
em novembro, Alckmin e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), selaram um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) no qual se comprometeram a apresentar no próximo mês um projeto final que não provoque prejuízos para nenhum dos Estados. Alterações feitas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na versão original da transposição já elevaram o custo da obra para R$ 830 milhões, um aumento de 66%.
Esforços. Questionado se São Paulo conta com um plano emergencial caso o período sem chuva continue, o governador Geraldo Alckmin disse estar "trabalhando ininterruptamente".
Entre as medidas anunciadas pelo governador está o uso de "membranas ultrafiltrantes" para aumentar a capacidade de tratamento de água das represas do Sistema Guarapiranga.
"O problema do Guarapiranga é que ele chegou a 15 m³/s. O problema é que a Estação de Tratamento de Água não tem capacidade para mais do que isso. Então nós estamos trazendo contêineres, membranas ultrafiltrantes, para poder ampliar a capacidade de tratamento", afirmou.
O governador disse, ainda, que o Sistema Alto Tietê pode passar a receber mais 0,5 m³/s a partir desta terça-feira, 27, do Rio Guaratuba.
Fonte: O Estado de São Paulo, por Felipe Resk , 26/01/2015

