Além do ambiente externo favorável, a expectativa de forte aumento do lucro das empresas neste ano está impulsionando a B3, a bolsa de valores brasileira. Projeções colhidas pelo Valor com oito instituições financeiras - Bradesco BBI, BTG Pactual, Franklin Templeton, Itaú BBA, Mauá Capital, Santander, TRUXT Investimentos e UBS - estimam crescimento dos lucros de 11% a 27% em 2018.
Se confirmadas, as projeções sustentam avanço do Ibovespa, principal índice de ações da B3, para algo perto de 90 mil pontos no fim do ano - ontem, fechou em 81.675, com alta no dia de 0,56%; no ano, já acumula avanço de 6,9%. Bancos e gestoras mantêm o otimismo mesmo com as incertezas políticas deste ano eleitoral. Em 2014 e 2015, quando a economia brasileira mergulhou na mais longa recessão de sua história, o lucro das empresas listadas no Ibovespa caiu, respectivamente, 23,4% e 83,8%.
Para especialistas, inflação baixa, juros em queda e retomada da atividade econômica criaram as condições para o bom desempenho operacional das empresas e isso está se refletindo na bolsa. É amparado nesse cenário, combinado com maior entrada de recursos estrangeiros em bolsa e ambiente externo favorável à tomada de risco, que o Ibovespa vem batendo recordes sucessivos. Para André Carvalho, chefe da área de análise de ações do Brasil e estrategista-chefe para América Latina do Bradesco BBI, embora os ventos externos estejam impulsionando as bolsas mundo afora, são os fatores locais que explicam o desempenho positivo da B3. "O vento global é inegável, mas nós já tínhamos essa visão benigna para a bolsa antes de ele acontecer.
Faz muito sentido entrar na bolsa, não só por fatores globais", diz Carvalho. Ele estima alta de 21%. A melhora do lucros das empresas explica também o aumento da relação entre preço e lucro das companhias do Ibovespa para 13 vezes, acima da média histórica de 11 vezes.
Fonte: Valor - Por Juliana Machado e Lucinda Pinto, 23/01/2018

