As prévias operacionais já divulgadas pelas incorporadoras de capital aberto sinalizam que o mercado encolheu, em 2014, pelo terceiro ano consecutivo. E tudo indica, conforme avaliações, que o setor completará quatro anos sem expansão. O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em conjunto por Cyrela, Direcional Engenharia, Even Construtora e Incorporadora, EZTec, Gafisa, Helbor, MRV Engenharia e Rodobens Negócios Imobiliários somou R$ 17,134 bilhões no ano passado - 5,7% abaixo do de 2013. As vendas caíram 9,3%, para R$ 17,457 bilhões. O cálculo considera somente a parcela próprias das empresas nos projetos.

A retração do desempenho no ano passado tende a se acentuar quando as demais incorporadoras divulgarem seus lançamentos e vendas. A Rossi Residencial, por exemplo, não divulgou prévia, até o fechamento desta edição, mas informou, em dezembro, que encerraria 2014 com VGV lançado de R$ 750 milhões, 21% abaixo de ano anterior.

Das oito incorporadoras cujos lançamentos foram consolidados na reportagem, apenas MRV, Gafisa e Cyrela elevaram lançamentos no ano. No caso da Cyrela, o aumento ocorreu quando se considera a parcela própria lançada, mas o VGV total, que inclui a fatia dos sócios nos empreendimentos, caiu 12% durante o exercício passado. Na Gafisa, houve crescimento consolidado, puxado pela Tenda, enquanto a divisão Gafisa lançou menos do que em 2013 e não atingiu a meta para o ano.

O conjunto de lançamentos das incorporadoras pode ter nova redução neste ano. "Será o quarto ano de encolhimento do setor. O volume de lançamentos ficará um pouco superior ao da época da abertura de capital das empresas", afirma o diretor da Realton - imobiliária focada na venda de imóveis novos com descontos -, Rogerio Santos. Na avaliação do executivo, em 2014, houve um "eclipse no mercado imobiliário", resultante da combinação do momento econômico do país e mundial, da Copa do Mundo e das eleições.

O setor começa o ano com estoques elevados, fruto dos distratos e da concentração de lançamentos no último trimestre de 2014. De outubro a dezembro, Cyrela, Direcional, Even, EZTec, Gafisa, Helbor, MRV e Rodobens lançaram R$ 5,33 bilhões, o equivalente a 31% do ano. Comparado com mesmo período de 2013, houve recuo de 29% em lançamentos e 20% em vendas contratadas.

Na Região Metropolitana de São Paulo, segundo cálculos da Realton, foram lançados 62 empreendimentos no quarto trimestre, incluindo projetos de incorporadoras abertas e fechadas. "Desse total, apenas 8% tiveram vendas superiores a 20%. Na maioria, o percentual ficou próximo a 10%", informa Santos.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Rubens Menin, diz não acreditar que 2015 será um ano de crescimento para o setor. "Vamos trabalhar com as ferramentas que possuímos. Não teremos nenhum impulso da economia", diz Menin.


Os ajustes na economia começaram a ser feitos, todavia o ambiente ainda é de cautela, pois espera-se que a melhora virá somente a partir do fim do ano. Recentemente, a Caixa Econômica Federal - principal agente na concessão de crédito imobiliário - subiu os juros para o financiamento habitacional. Ainda que a medida não tenha sido vista com alarde por analistas, foi considerada fator que contribui para tornar o cenário mais desafiador para as incorporadoras.


Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão, 23/01/2015