Aumentar a capacidade das creches e construir mais unidades em parceria com empresas são as ações que o novo secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita (PMDB), promete para acelerar a expansão de vagas.

O compromisso do prefeito Fernando Haddad (PT) é abrir 150 mil novos postos no ensino infantil. O último balanço oficial aponta que apenas 28% já foram entregues.

Em sua primeira entrevista após assumir o cargo, Chalita disse à Folha que buscará "toda a criatividade" para ajustar o ritmo de ampliação.

Em uma frente, a prefeitura fechou parceria com o Carrefour, que construirá até cinco creches em seus estacionamentos --que serão doadas à gestão municipal. Os dois lados afirmam que não haverá contrapartida.

É a primeira parceria assim com a iniciativa privada, ideia lançada pelo secretário anterior, Cesar Callegari, em 2013.

Em outra frente, Chalita disse que as creches a serem construídas pela prefeitura, maiores, poderão abrigar 500 crianças cada, em vez de 200.

"São positivas medidas que ampliem as vagas. Mas é complexo garantir a qualidade para creche tão grande. Precisa de muitos espaços, de gente para dar atenção", afirmou Francisco Carbonari, consultor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (que atua em políticas para crianças de 0 a 6 anos) e ex-secretário de Educação de Jundiaí.

Abaixo, os principais trechos da entrevista.

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Quais são os planos para expandir as vagas nas creches?
Gabriel Chalita - Já há uma parceria iniciada com o Carrefour, que pretende construir cinco creches, em estacionamentos deles, e passá-las para a Secretaria Municipal de Educação, para que nós administremos. Será aberta à população. A gente quer pegar o modelo e ir atrás de outras empresas. Por que não o Pão de Açúcar, a Fiesp, o Sesc? Também o governo estadual, o federal. Eles têm terreno? Podem ajudar?
Há uma explosão de demanda, mas não tem terreno.
Há também o nosso modelo de creches. São para 200 crianças; os CEUs têm pouco mais de 300. Mas hoje você tem creches com 500 em outras cidades, e elas dão certo. Minha preocupação no início, como educador, era que, com essa quantidade de crianças, você não desse a atenção devida a elas.
Mas, se você tem terreno, você precisa ampliar um pouco. Mesmo que não tenhamos o ideal, o ideal é não termos criança desassistida.

Como serão as creches com mais crianças?
Requerem ajustes de construção e equipe maior. Mas você acaba economizando, tem apenas uma equipe de gestão. Você precisa de mais professores, mas se o espaço é adequado, é possível.

O compromisso do prefeito de abrir 150 mil vagas no ensino infantil é factível?
É factível, com as parcerias. Sem, é muito complexo.

O senhor tem uma avaliação de por que as crianças no ensino fundamental não aprendem o que deveriam?
Fiquei um mês na China, que passou a Finlândia no Pisa. O que você tem de educação musical, esportiva, no meio da aula de física, de química... Eles mesclam abstração e realidade concreta.

Tentará introduzir essa lógica em apenas dois anos?
É possível começar.

A gestão enfrentou duas greves de professores em dois anos. Como lidar com isso?
Fiz uma relação com a rede estadual em que não teve greve [foi secretário estadual de 2003 a 2006]. Por quê? Estabelecemos relação verdadeira. Farei o maior esforço para que não tenha greve. Como? É dizer para o professor: "Estou aqui para fazermos uma política educacional, conjuntamente com vocês". Se os sindicatos veem canal de diálogo, não vão para a greve.

O secretário anterior, Cesar Callegari, disse que um aluno com notas abaixo da média poderia ser aprovado. Qual será sua diretriz?
A diretriz é "veja como [o aluno] chegou nessa nota baixa". Quero avaliar com os professores, por meio de fóruns, se não dá para estender uma recuperação. Agora, se chegar ao fim da recuperação e ele não sabe, não é bom passar. Não pode fingir.

PT e PMDB estarão juntos na eleição de 2016?
Não foi discutido isso. Tudo depende da convenção do PMDB, mas para mim a parceria com o PT é óbvia.


Fonte: Folha de São Paulo, por Fábio Takahashi e Gustavo Urihbe, 23/01/2015