Todos os Estados brasileiros registraram saldo negativo de emprego em 2015. São Paulo concentrou quase um terço das perdas, com fechamento de 466,7 mil postos, 30,25% do total. Minas Gerais foi o segundo da lista, com 196,1 mil cortes, seguido pelos Estados do Rio de Janeiro (183,7 mil) e Rio Grande do Sul (95,2 mil).
Segundo o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, os Estados mais atingidos no ano passado foram aqueles onde a indústria tem participação importante na atividade. Dos 1,542 milhão de empregos perdidos no ano passado, o segmento de transformação foi o grande destaque negativo, com saldo negativo de 608,9 mil, seguido pela construção civil, com 416,9 mil demissões líquidas.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, afirmou que uma mudança no quadro depende do aumento de investimentos públicos, o que passa pela aprovação de reformas como a previdenciária para abrir margem no orçamento público. Na avaliação dele, o governo precisa investir para dar uma sinalização positiva para a iniciativa privada. "Para ter uma retomada da economia, é preciso reduzir gastos", frisou.
O único setor que teve desempenho positivo foi a agricultura, com a criação de 9.821 postos de trabalho. Rossetto explicou que a "taxa de câmbio sustentou rentabilidade e renda para o setor agrícola", minimizando cortes de empregos. O ministro lembrou que alguns setores já estão dando sinais de que vão contratar neste ano, como é o caso da indústria automotiva e metal mecânica.
Apesar de admitir que o número em 2015 foi "difícil", Rossetto destacou que o nível de emprego está "em patamar superior a dezembro de 2012". "Tivemos um ano difícil em 2015, mas preservamos as conquistas importantes dos últimos anos em relação à forte ampliação do mercado de trabalho. Não é correto afirmar que 2015 destruiu as conquistas dos últimos anos."
Para o ministro, o resultado negativo "reflete uma mudança na dinâmica do mercado de trabalho". Ele ressaltou também que no período houve uma diminuição das demissões, o que significa uma volatilidade menor. "O ano 2015 foi difícil e os números não foram bons para o emprego", reforçou Rossetto. Na opinião do ministro, no entanto, é importante avaliar a redução dos postos de trabalho diante do estoque, e não como um número absoluto. Somente em dezembro o país perdeu 596.208 empregos. O mês tradicionalmente registra redução no nível de emprego formal, devido, em grande parte, à influência de fatores azonais.
Na avaliação de Rossetto, a ampliação da atividade econômica que deve estimular a retomada das contratações deve vir com a expansão do crédito, aumento dos investimentos via concessões, câmbio, recuperação da indústria nacional e do mercado interno com a queda da inflação. O ministro ressaltou ainda que a retomada dos investimentos da terceira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida também vai ajudar no crescimento econômico. "Uma agenda está sendo trabalhada", disse Rossetto.
Fonte: APeMEC, 22/01/2016

