Um setor responsável mundialmente por 7% das emissões de carbono, a indústria cimenteira tem se movimentado para adotar medidas que reduza o impacto delas no meio ambiente. A Votorantim Cimentos diz que sua meta de médio prazo, 2030, é de chegar a 520 quilos de CO2 por tonelada de cimento fabricada.

“Para 2050, nosso compromisso é de emissão zero”, disse ao Valor o presidente da companhia, Marcelo Castelli, que vai completar dois anos no cargo em 1º de fevereiro. Ele lembra que em 1990 eram 763 quilos. Em 2019, caiu a 591 quilos - decréscimo de 23% no período de 30 anos.

Segundo Castelli, o setor cimenteiro no Brasil está na vanguarda mundial, pois aqui se fabrica vários tipos do produto, resultantes da adição de vários materiais na mistura com o calcário.

Um fator importante, diz, é o co-processamento - uso de combustíveis alternativos recicláveis ao coque de petróleo (fóssil) nos fornos das cimenteiras. Esses materiais vão de pneus usados a caroço de açaí, palha de arroz, entre outras biomassas. E começam a ser usados também resíduos industriais e resíduos sólidos urbanos, os quais não deveriam ir parar em lixões. Além disso, a VC vem reduzindo percentual de clínquer no cimento.

A VC criou em 2019 a Verdera, voltada a fazer a gestão de resíduos industriais e urbanos, que vem trabalhando com startups para ajudar nos processos de gestão. “Nesse campo de atuação, que envolve uso de combustíveis alternativos e programas de redução de emissões, fazemos parte da primeira liga mundial”, diz o executivo.

Castelli informa que a VC já conta com 60% da energia que consome de fonte renovável (hidrelétricas próprias) e já está com projetos em curso para participar de um parque de geração eólica no Piauí. Noutra frente, diz participar de vários programas internacionais, como o Inovandi, que desenvolve processos de produção modernos.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, 20/01/2021