A PDG Realty anunciou, na noite de ontem, a mudança de seu presidente, com a indicação de Augusto Reis para o lugar de Vladimir Ranavesky. A mudança faz parte da entrada da companhia em nova fase, na qual as atividades operacionais voltarão a ter prioridade em relação à recuperação judicial da companhia. Ranevsky assumiu a PDG em 4 de dezembro de 2016 e será substituído por Reis a partir de 1º de fevereiro. O novo presidente faz parte dos quadros da companhia desde 2013, tem experiência no mercado imobiliário e foi preparado por mais de um ano para assumir o leme daquela que já foi a maior incorporadora do país, mas acabou se tornando a segunda maior empresa do setor listada em bolsa a entrar em recuperação judicial.

“Grande parte do plano de recuperação da PDG foi implementado. O processo continua, mas a companhia quer retomar suas atividades operacionais”, disse Ranevsky ao Valor. A intenção é que incorporadora retome, neste ano, lançamentos na cidade de São Paulo. Perfis dos empreendimentos e formatos possíveis de parcerias para novos projetos ainda estão em definição, mas, dificilmente, a PDG irá realizar sozinha as incorporações, segundo o executivo. A companhia não apresenta projetos ao mercado desde o primeiro trimestre de 2015. Os novos empreendimentos serão desenvolvidos em terrenos que foram separados do plano de recuperação judicial.

Para 2020, há previsão também do início de operações de duas empresas - uma de vendas e outra de serviços de engenharia. A previsão inicial era de que essas empresas começariam a operar no ano passado, mas ainda está havendo refinamento da atuação de cada uma delas.

A PDG deu início à reestruturação de suas dívidas em agosto de 2015. No início de novembro do ano seguinte, a companhia anunciou a contratação da RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, para dar suporte à reestruturação e substituiu os administradores legais. Foi quando Ranevsky, que tinha sido presidente da OSX, assumiu o cargo imediatamente antes ocupado por Marcio Tabatchnik Trigueiro.

Em fevereiro de 2017, a companhia pediu recuperação judicial. Em junho, levou à Justiça 38 planos de recuperação, com R$ 5,75 bilhões passíveis de reestruturação. O plano principal incluía a controladora e a maior parte das 512 sociedades de propósito específico (SPEs) que foram à Justiça. Cada um dos 37 planos individuais destinou-se a um empreendimento com afetação. O formato suscitou discussões entre credores, e acabou sendo revisto. As SPEs com patrimônio de afetação ficaram fora da recuperação. No fim daquele ano, foi aprovado plano, abrangendo 20 mil credores e valor superior a R$ 4,6 bilhões.

Se, por um lado, a execução do plano de recuperação judicial da PDG está em linha com o cronograma traçado, por outro, Ranevsky reconhece que há questões relevantes que ainda precisam ser equacionadas pela companhia. “A dívida continua razoavelmente alta”, diz o executivo. No fim de setembro, o endividamento bancário bruto era de R$ 2,96 bilhões, e o patrimônio líquido da empresa estava negativo em R$ 4,622 bilhões.

A PDG segue negociando com instituições financeiras a liberação de recursos para retomar obras, em diversas fases, dos empreendimentos que ficaram de fora da recuperação judicial por fazerem parte de SPEs com patrimônio de afetação. Apenas uma dessas obras, localizada em Manaus e financiada pelo Bradesco, recebeu suplementação de recursos para retomada. Há conversas, em curso, também com fundos para continuidade dos empreendimentos, de acordo com o executivo.

No terceiro trimestre, a PDG teve prejuízo líquido de R$ 123 milhões, 13,2% acima do mesmo período de 2018. A receita líquida caiu 58,4%, para R$ 36 milhões. As vendas brutas tiveram queda de 49,8%, para R$ 41 milhões. Segundo Ranevsky, o ritmo de comercialização melhorou, no fim de 2019, e se manteve neste início de ano. A venda de ativos tem sido a principal fonte para pagamento de dívidas.

Atualmente, a PDG tem cerca de 120 funcionários. No terceiro trimestre de 2016, antes de o executivo assumir a companhia, o número chegava a 1.019 - 747 administrativos e 272 de obras.

Questionado sobre o que mais o surpreendeu na PDG, Ranevsky afirmou que foram a complexidade das operações e a quantidade de detalhes, que impossibilitaram padronizar soluções.

O desenrolar do plano de recuperação judicial e as negociações com os bancos terão continuidade na gestão do novo presidente. “Augusto [Reis] conhece o plano e é do setor”, diz Ranevsky. Além da presidência, Reis - que passou por Odebrecht e Gafisa - ocupará os cargos de vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores, que também eram exercidos por Ranevsky. Ontem, Natália Fernandes Pires renunciou ao cargo de diretora jurídica.

A RK e o escritório de advocacia EMunhoz, de Eduardo Munhoz, continuarão a dar suporte à PDG.

Ontem, as ações da PDG fecharam com queda de 2,40%, cotadas a R$ 8,12 na B3. No último ano, houve variação negativa de 6,45%. Desde que Ranevsky assumiu a presidência da companhia, a variação foi de perda de 69,70%.

 

Fonte: Valor-Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 17/01/2020