O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve ter encerrado novembro com uma ligeira alta, reforçando as perspectivas de fraco crescimento no quarto trimestre. A estimativa média de 24 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data aponta para uma alta de somente 0,2% em relação a outubro, no cálculo já dessazonalizado. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a alta deve ser de 1,8%. Os resultados serão divulgados hoje pela autoridade monetária.
Se confirmado, o número de novembro seguirá a mesmo tendência do resultado do mês anterior, quando o IBC-Br ficou praticamente estável, com alta de 0,02%. Em setembro, o índice havia caído 0,16%.
Calculado a partir de indicadores de produção de indústria, serviços (comércio incluído) e agropecuária, o IBC-Br é considerado por economistas uma “proxy imperfeita” do Produto Interno Bruto (PIB), já que as metodologias são distintas.
Em novembro, o destaque positivo ficou por conta das vendas do varejo, que cresceram 2,9% na comparação com outubro (sempre no cálculo dessazonalizado), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Boa parte dessa expansão, de acordo com analistas, foi influenciada pela Black Friday — evento que, por ter uma série histórica curta, ainda não consegue ser totalmente excluído dos cálculos dessazonalizados dos economistas.
A produção industrial, por sua vez, teve alta de apenas 0,1%, enquanto o volume dos serviços ficou estável. No acumulado de 12 meses, os serviços também ficaram estáveis, “interrompendo sequência de 41 meses no negativo” nesse tipo de comparação, segundo o Banco Fator.
Christian Thorgaard, economista da consultoria Parallaxis, cita fatores que ainda seguram, por diferentes razões, a retomada da atividade. São eles: a recuperação lenta e fortemente baseada em vagas informais do mercado de trabalho (o que atrapalha o crescimento do consumo); as incertezas sobre o cenário externo; e a crise fiscal (que impede uma indução dos investimentos vinda do setor público). A expectativa da consultoria é que o PIB também fique praticamente estável no último trimestre de 2018, com crescimento de apenas 0,07% em relação aos três meses anteriores, o que levaria a uma expansão anual de 1,2%. Para o IBC-Br de novembro, a estimativa é de alta de somente 0,1%.
Em relatório, a equipe econômica do Bradesco também destaca que “a retomada do consumo tem ocorrido de forma gradual e volátil, indicando um crescimento moderado da atividade”. A instituição financeira espera que o PIB cresça apenas 0,1% no último trimestre do ano.
Já o Itaú afirma que os primeiros indicadores antecedentes do varejo para dezembro, como vendas de veículos e índices de confiança de consumidores e empresários, “apontam para uma pequena” queda do setor no último mês do ano.
Mesmo com os diversos fatores que por enquanto limitam a retomada, a expectativa é de uma aceleração do crescimento da economia em 2019. A Parallaxis calcula uma expansão de 2,4%, baseada em fatores como a gradual recuperação do mercado de trabalho, o “consumo reprimido” dos anos anteriores, a melhora da confiança dos consumidores e uma maior “estabilidade” dos cenários político e econômico. Algumas incertezas, no entanto, permanecem no horizonte, ligadas ao ajuste fiscal (principalmente reforma da Previdência) e ao cenário externo. “É preciso ver como a atividade responderá no primeiro trimestre, se a euforia não permanecerá somente no mercado de capitais”, diz Thorgaard.
Fonte: Valor, por Estevão Taiar, 17/01/2019

