Em reunião virtual realizada ontem com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, e os ministros da Casa Civil, general Braga Netto, e das Comunicações, Fábio Faria, 28 empresários ligados à Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) ressaltaram a importância da campanha nacional de vacinação contra a Covid-19 para a retomada econômica em 2021. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não participou da videoconferência.
Os ministros e o número dois da Saúde tentaram aliviar a ansiedade dos empresários, integrantes do Conselho Superior Diálogo pelo Brasil da Fiesp, com vários mais alinhados ao presidente Jair Bolsonaro. Afirmaram que a imunização começará simultaneamente em todo o país até o final da primeira semana de fevereiro. Braga Netto, no entanto, não quis definir uma data “para não gerar expectativa”.
Em uma tentativa de tranquilizar a audiência, Elcio Franco e Braga Netto afirmaram que a imunização será imediatamente iniciada assim que a Anvisa aprovar as vacinas do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Não informaram, no entanto, se a Anvisa aprovará rapidamente as vacinas produzidas pelo Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os empresários demonstraram disposição para ajudar o governo. O vice-presidente do grupo Raia-Drogasil, Eugênio de Zagottis, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), colocou à disposição 4.500 lojas com estrutura para vacinar, além de 7 mil farmacêuticos. Os ministros disseram que levariam a informação ao presidente Jair Bolsonaro. E informaram que estão avançadas as negociações com a Azul Linhas Aéreas para viabilizar o transporte gratuito das vacinas no país.
Alguns dos empresários manifestaram a intenção de adquirir lotes das vacinas para a venda pela rede privada. Mas o ministro Braga Netto reiterou que a vacinação, por ora, ocorrerá integralmente pelo setor público. Também não foi estipulada uma previsão de data para que as vacinas possam ser compradas pela rede privada, apesar da insistência para que os ministros indicassem uma previsão.
O secretário-executivo Elcio Franco disse que assim que a vacinação for iniciada, o governo terá capacidade para ministrar 25 milhões de doses por mês em meados de março, contando com a estrutura produtiva do Butantan e da Fiocruz. Segundo Franco, o governo federal já tem 50 mil pontos de vacinação à disposição e reservou cerca de R$ 20 bilhões para a realização da campanha nacional de imunização.
Durante o encontro também foi informado que um representante da União Química está na Rússia negociando a importação de doses da vacina Sputnik. A negociação envolveria a realização da fase três do imunizante no Brasil, para que ele possa ser utilizado em caráter emergencial no país.
A reunião durou uma hora e meia. Participaram o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e os empresários: André Gerdau - do grupo Gerdau; Candido Pinheiro Koren de Lima Junior - do grupo Hapvida; Carlos Sanches - do grupo EMS; Christian Gebara - presidente da Vivo; Constantino Junior, da Gol; Dan Ioschpe - do grupo Iochpe-Maxion; Elie Horn - da Cyrela; Eugênio De Zagottis - vice-presidente do grupo Raia Drogasil; Eugênio Mattar - da Localiza; Fábio Coelho - presidente do Google Brasil; Fernando Cestari de Rizzo - do grupo Tupy; Fernando Galletti de Queiroz - do grupo Minerva Foods; Flávio Rocha - da Riachuelo; Francisco Gomes Neto - presidente da Embraer; Jerome Cadier - da Latam; João Guilherme Sabino Ometto - do Grupo São Martinho; John Peter Rodgerson - CEO do Grupo Azul Linhas Aéreas; Juliana Azevedo - presidente da Procter & Gamble Brasil; Lorival Nogueira Luz Junior - CEO do grupo BRF; Luiz Carlos Trabuco Cappi - presidente do conselho do Bradesco; Marcelo Melchior - presidente do grupo Nestlé Brasil; Paulo Sousa - presidente da Cargill; Ricardo Perez Botelho - CEO do grupo Energisa; Roberto Fulcherberguer - V ia Varejo; Roberto Simões - presidente da Braskem; Rubens Menin - da MRV; Salo Seibel - da Duratex; Victório De Marchi - Ambev e Wesley Batista Filho - presidente da JBS.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por André Guilherme Vieira — De São Paulo, 14/01/2021

