Segmentos ligados à construção brasileira estão presentes tanto entre aqueles com expectativas mais otimistas para os negócios nos primeiros meses de 2022 quanto entre os mais pessimistas, aponta abertura das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre).
O mais pessimista é o varejo de material de construção, que registrou um índice médio de expectativa de 84,4 pontos no último trimestre de 2021. “Temos uma mudança de cenário que já está afetando as vendas”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do instituto. A própria abertura das atividades trouxe mais despesas para “competir” no orçamento familiar, diz. Além disso, houve um aumento forte no preço dos materiais.
“Olhando para o futuro, os estabelecimentos estão percebendo essa queda na margem na demanda e vendo um cenário para 2022 mais complicado”, afirma Castelo. Mesmo que haja desaceleração da inflação à frente, observa, não se tratará de uma queda nos preços.
Segmentos da construção em si estão do lado mais otimista, como “obras de instalações” (106,5 pontos), além de “preparação do terreno” e “obras de acabamento”, ambos com 106,1 pontos.
O fato de a preparação de terreno, que é um antecedente, estar com viés positivo pode ser uma indicação de que essa ponta inicial do ciclo da construção ainda está com alguma percepção mais otimista, segundo Castelo.
A pesquisadora reforça que existe uma diferença entre o ciclo dos negócios e o da atividade. “Se você olhar para o médio-longo prazo, houve uma piora do cenário que está afetando o humor do empresário e vai impactar o ciclo de negócios, as vendas de imóveis já estão sentindo. Isso coloca um risco, claro, para o todo mais à frente. Mas a preparação de terreno ainda deve registrar esse ciclo imobiliário recente de início das vendas. Muita coisa foi vendida e está para iniciar”, afirma.
Já segmentos na ponta final do ciclo da construção, como obras de acabamento e de instalações, ainda estão “surfando na onda” de reformas e da adaptação de escritórios, aponta Castelo. “Ainda tem muita coisa para começar e terminar dessa retomada dos dois últimos anos”, diz.
Castelo projeta um desempenho no azul do PIB da construção em 2022, puxado não mais pelo “consumo formiga” de pequenas reformas, mas pelo segmento formal, com investimentos em infraestrutura, principalmente por parte dos Estados, cujos governos estarão em ano eleitoral, lembra.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Anaïs Fernandes — De São Paulo, 10/01/2022

