Dois indicadores calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram "compasso de espera" no mercado de trabalho ao término de 2018. O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) apresentou taxa de 97 pontos em dezembro de 2018, resultado idêntico ao de novembro do ano passado. Já o Índice Coincidente de Desemprego (ICD) permaneceu em 98,9 pontos entre novembro e dezembro.
Para Viviane Seda, coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, ocorrem movimentos distintos nas avaliações de consumidores e empresários. Por um lado, o consumidor sente-se mais confiante com novas aberturas de vagas em 2019; mas, ao mesmo tempo, o empresário ainda se encontra muito cauteloso para elevar ritmo de contratações. "Não aconteceu nada para que houvesse um impulso de novas contratações", disse.
Na análise da especialista, ainda não há muita clareza sobre como será o mercado de trabalho em 2019. Esta ausência de visibilidade mais precisa, em relação a abertura de vagas, influenciou estabilidade nos dois indicadores entre novembro e dezembro.
Ao mesmo tempo, a técnica observou que a taxa a desemprego ainda permanece muito alta. "Não será tão rápida a queda da taxa de desemprego", afirmou, considerando que o cenário hoje de desocupados não é de fácil reversão. Dados mais recentes do IBGE apontam taxa de desemprego de 11,6% até o trimestre finalizado em novembro do ano passado. Isso na prática ainda representa 12,2 milhões de desempregados no país.
Para a coordenadora, os sinais até o momento são favoráveis, com perspectiva de queda no ICD, e de alta no IAEmp no médio e longo prazos. Mas a trajetória esperada em ambos os indicadores se dará em ritmo lento e gradual. "Vamos esperar que ao longo de 2019 tenhamos uma visão mais clara [sobre emprego]", disse. A FGV também apurou que, com relação ao indicador de desemprego, as duas classes de renda familiar mais baixas contribuíram de forma.
Fonte: Valor, por Alessandra Saraiva - do Rio, 10/01/2019

