Menos de uma semana depois de voltar a receber pedidos de financiamentos nas linhas de investimentos do Plano Safra com equalização da taxa de juros, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que suspendeu o protocolo de seis programas de crédito voltados ao campo. Sem dinheiro, não há previsão de novas reaberturas.

Para a maioria, foram apenas dois dias desde o desbloqueio, prazo suficiente para consumir “valores residuais”, não revelados. Sem nenhuma indicação de que haverá aporte extra por parte do governo, a instituição segue ampliando seu orçamento para não faltar dinheiro nos empréstimos sem a subvenção federal na segunda metade da temporada.

“É um esgotamento, de fato”, disse ao Valor Tiago Peroba, chefe do Departamento de Clientes e RI da Área de Operações e Canais Digitais do BNDES, que previu a velocidade com que sairiam os recursos. “Não tinha valor considerável e sabíamos que não ia durar muito tempo, pela demanda reprimida dos bancos”, acrescentou. O cenário é o mesmo para as linhas que ainda tem algum saldo remanescente e que deve se esgotar em breve. “Não teremos novas reaberturas tão cedo”.

Foram suspensos os financiamentos via Moderfrota, PCA, Inovagro, Moderagro, Prodecoop e alguns do Pronaf. Seguem abertos, por pouco tempo, segundo Peroba, outros itens do Pronaf e do ABC, Procap-Agro e Moderinfra. Existe ainda a chance das linhas serem reabertas até julho se houver saldo residual de operações não concretizadas mais próximo ao fim da temporada.

Tiago Peroba ressaltou que não existe expectativa quanto à disponibilização de recursos extras no orçamento para reforçar as linhas de investimentos. “Não tem nada no nosso radar, nenhuma indicação de ministério de possibilidade de ter recurso novo. Isso está descartado a priori, não tem nada”, destacou o executivo. No ciclo 2020/21, o orçamento aprovado em todos os programas agropecuários do BNDES foi de R$ 18 bilhões.

“Conforme acabam os recursos equalizáveis, cresce de forma cavalar os desembolsos da linha”, avaliou. No semestre passado, foram R$ 1,18 bilhão em financiamentos, terceiro principal programa do banco, atrás de Moderfrota e Pronaf Investimento. Só em dezembro de 2020, foram R$ 367 milhões liberados.

A linha teve orçamento inicial de R$ 1,5 bilhão, mas pode ser abastecida conforme a demanda já que não tem equalização, explicou Peroba. “Orçamento não é ponto de preocupação, vamos renovando de acordo com a demanda”, colocou. “A ideia é que a gente consiga perenidade para a linha. Diante do esgotamento de recursos, ela vai tomar ainda mais protagonismo”.


Fonte: Valor Econômico - Agronegócios, por Rafael Walendorff — De Brasília, 08/01/2021