O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta quinta (5) mudanças na sua política de concessão de empréstimos. A ideia é que empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões tenham acesso a financiamento em condições mais vantajosas do que as oferecidas a companhias maiores.

Uma fatia maior dos seus projetos poderá ser financiada com taxas de juros subsidiadas, disse a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques. Com o anúncio da nova política, o BNDES aumentou de R$ 90 milhões para R$ 300 milhões o limite de receita das firmas que o banco classifica como micro, pequenas e médias empresas.

Projetos que tenham retorno para áreas como educação, ambiente, saúde e inovação também serão favorecidos com condições mais vantajosas, anunciou o banco. A TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), referência para as operações do BNDES, está em 7,5% ao ano hoje. A taxa é mais baixa que a Selic, que é o juro básico da economia, atualmente em 13,25%.

A ideia é que projetos que agreguem valor para esses segmentos tenham percentuais maiores de utilização de TJLP do que segmentos industriais poluentes ou que estão consolidados no Brasil.
Dessa forma, o BNDES deixa de lado sua política setorial, que está mantida apenas temporariamente para o setor de infraestrutura— ou seja, projetos de um mesmo setor, independentemente de suas características, têm o mesmo tratamento de juros.

O BNDES já havia deixado de financiar usinas térmicas a carvão. Grandes empresas que quiserem investir em frotas de ônibus e caminhões a diesel, combustível mais poluente terão direito apenas a 50% de seus projetos financiados pela TJLP —o percentual cairá para 30% em 2019.

Para ônibus e caminhões híbridos, elétricos ou movidos a combustíveis renováveis, o percentual sobe para 80%, valor máximo a ser financiado com taxa menor. O BNDES anunciou que dobrará o prazo da linha de financiamento do Finame, para máquinas e equipamentos, de cinco para dez anos. Também foram anunciadas mudanças na linha para capital de giro, o Progeren, que terá orçamento de R$ 5 bilhões para operações neste ano.

Projetos de setores que o banco considera já consolidados serão preteridos no novo modelo. Empreendimentos de transmissão de energia, por exemplo, não serão mais financiados com a TJLP e só poderão tomar financiamento com juros de mercado, afirmou o banco.

O mesmo se aplicará a projetos que, na avaliação da instituição, tiverem reduzida capacidade de desenvolver inovação tecnológica, que terão percentual limitado de uso da taxa de juros subsidiada do banco.

Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Lucas Vettorazo, 06/01/2017